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Entre a automação e a demissão

Imagem: LightFieldStudios, de envatoelements Imagem: LightFieldStudios, de envatoelements

Quando eu comecei no jornalismo, não havia computador, celular, internet. Encontrávamos os entrevistados pela lista telefônica. Só havia dois modos de entrevistar alguém: por telefone fixo ou pessoalmente. O meu primeiro grande chefe, Aroldo Murá, me ensinou o ofício de repórter rabiscando nas laudas e mandando reescrever várias vezes antes de despachar para a impressão. O cesto de lixo terminava o dia transbordando de textos descartados. Hoje, revisamos roteiros em tempo real, várias pessoas trabalhando simultaneamente no mesmo arquivo digital. Qualquer pessoa no mundo pode ser encontrada pelo Google e entrevistada por celular, e-mail, WhatsApp ou plataforma de reunião online.

Muita coisa mudou desde meados dos anos 1980 e vamos ter que aceitar que vai continuar mudando. Automação, inteligência artificial e internet das coisas já chegaram às fábricas. No estudo “Envelhecimento e automatização, ameaças gêmeas”, de 2018, a consultoria Mercer descreve os impactos negativos da automatização para os “trabalhadores mais antigos”. Segundo a Mercer, o mercado de trabalho global estaria enfrentando dois riscos: o envelhecimento generalizado da população e a automação do trabalho. Aparentemente, esses dois fatos são irreconciliáveis: ou você é jovem e naturalmente conviverá com “máquinas que pensam” ou você é velho e será descartado.

A única esperança para os “trabalhadores mais antigos” seria a educação. O estudo da Mercer nota que profissionais de nações que investem mais em ensino superior correm riscos menores de serem descartados. “Educação e reeducação são ferramentas evidentemente importantes para garantir que os trabalhadores mais velhos permaneçam qualificados e relevantes para o trabalho”, escrevem os autores da pesquisa. Eles alertam ainda que os trabalhadores mais velhos são muitas vezes indevidamente demitidos porque as empresas esquecem que eles podem “fornecer continuidade, orientação e estabilidade ao local de trabalho.”

Para mim, o que de fato está errado é que as empresas têm deliberadamente feito a escolha de descartar os “trabalhadores mais antigos” por preconceitos que estão enraizados na cultura organizacional.  Quando agem assim, qual mensagem estão passando aos jovens e ambiciosos funcionários? Aproveitem enquanto podem pois sua hora de ser descartado também vai chegar. Se os temas do momento são diversidade e inclusão, essa é mais uma prática que precisa ser revista.

Como bem escreveu Blair Shepard, líder global de estratégia e liderança da PwC no estudo “Workforce of the future”, “para ficar à frente, você precisa se concentrar em sua capacidade de se adaptar continuamente, envolver-se com outras pessoas nesse processo e, o mais importante, manter seu senso de identidade e valores essenciais. Para os estudantes, não se trata apenas de adquirir conhecimento, mas de como aprender. Para o resto de nós, devemos lembrar que complacência intelectual não é nossa amiga e que aprender - não apenas coisas novas, mas novas maneiras de pensar - é um esforço para toda a vida. ”

Não é exatamente isso que nós, os 50+, temos feito desde que entramos no mercado de trabalho?

fonte: Época Negócios, escrita por Maria Tereza Gomes

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