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Tecnologias exponenciais: robótica e automação industrial

29/06/2016
Imagem retirada de https://optclean.com.br/tecnologias-exponenciais-robotica-e-automacao-industrial/
Imagem retirada de https://optclean.com.br/tecnologias-exponenciais-robotica-e-automacao-industrial/

Ao longo das últimas décadas, assistimos robôs sendo apresentados na indústria cinematográfica sob os mais diversos formatos, modelos e cenários. Alguns deles eram adoráveis, prestativos e cativaram o público, como WALL-E e a dupla C-3PO e R2-D2, de Guerra nas Estrelas. Outros eram perigosos e destinados a destruir a humanidade, como o assustador Gort, de O dia em que a terra parou. Contudo, bem ou mal intencionados, o fato é que, em decorrência dos avanços da Lei de Moore, os robôs que antes se restringiam às telas dos cinemas e da televisão estão agora adentrando, cada vez mais, em nossa realidade.

A robótica vem demonstrando avanços surpreendentes nos dias de hoje. Em grande parte, o progresso se deve pela própria revolução dos smartphones, uma vez que os robôs dependem dos mesmos componentes (chips computadorizados, baterias e sensores) utilizados nos aparelhos que levamos em nossos bolsos. O progresso exponencial da tecnologia, com todos os seus desdobramentos, vem conduzindo à inevitável conclusão de que os robôs, a exemplo dos computadores e nossos telefones celulares, em breve serão onipresentes no cotidiano.

A frase proferida pelo professor Rodney Brooks, Diretor do Laboratório de Inteligência Artificial e Ciência da Computação do Massachusetts Institute of Technology (MIT), sintetiza o pensamento de muitos cientistas:

“No futuro, tenho certeza de que teremos muito mais robôs em todos os aspectos de nossa vida. Se você tivesse dito em 1985 que em 25 as pessoas teriam computadores na cozinha, a ideia não teria feito sentido algum.”

Se até antigamente os robôs eram empregados, sobretudo, para tarefas consideradas repetitivas e maçantes, como as de uma linha de montagem automotiva, hoje as máquinas estão se tornando mais sofisticadas e inteligentes, o que lhes permite desempenhar atividades mais complexas. Robôs são capazes de falar, andar, responder a nossos comandos verbais e interpretar nossas expressões faciais. Na Bélgica, centros médicos hospitalares usam robôs para recepcionar pacientes e conduzi-los até o setor pretendido. (Recentemente “contratado” pelo hospital AZ Damiaan, o robô Pepper é capaz de reconhecer mais de 20 línguas e determinar se o interlocutor é homem, mulher ou mesmo criança).

Na França, já podem ser encontrados nas redações de jornais robôs redatores, que transformam dados em palavras. As máquinas permitem publicar de maneira rápida um grande volume de textos. (O jornal Le Monde utilizou tais máquinas durante as eleições departamentais francesas, em março de 2015, para elaborar textos a partir dos resultados eleitorais de cada cidade.) No Japão, robôs realizam o preparo de comida para clientes. (A empresa de culinária automatizada Autec desenvolveu uma máquina de fazer sushi, que desempenha todo o processo de preparo do alimento, enrolando os ingredientes e acomodando-os em uma bandeja.)

O emprego da robótica nos mais diversos setores, de restaurantes a hospitais, é uma realidade facilmente perceptível. Uma rápida pesquisa no mecanismo de busca do Google fornece inúmeros outros exemplos. Os resultados da consulta, muitos deles inimagináveis, poderão até surpreender o leitor. Inegavelmente, os robôs estão ingressando paulatinamente em nosso campo tridimensional e, com a expansão da Internet das Coisas, a tendência é que dividam o espaço conosco. Permanentemente.

No futuro, robôs multifuncionais serão capazes de realizar as tarefas mais diversas. Embora ainda possa levar alguns anos para que o cenário se concretize, importantes avanços foram vislumbrados nos últimos anos. No ano de 2006, o programador de sistemas Scott Hassan reuniu alguns amigos e fundou a Willow Garage. O projeto principal da empresa era um robô pessoal denominado PR2 (Personal Robot 2). Robôs normalmente custam caro e não são fáceis de montar, mas Hassan possuía um diferencial: além de sua mente brilhante, tinha à disposição o capital adquirido pela venda de seu site (EGroups) ao Yahoo!: US$ 412 milhões.

Sem ter como alvo os consumidores – mas tão somente a satisfação dos integrantes da Willow Garage –, o PR2 Garage é capaz de dobrar roupas, preparar o café da manhã, abrir portas pegar uma cerveja na geladeira e limpar a sujeita do cachorro. Para Peter DIAMANDIS, a maior revolução do PR2 não as habilidades em si, mas sim o código que o controla. O projeto de Hassan possui código aberto ao invés de código fechado. Dentre as aplicações benéficas do PR2 estão o desenvolvimento de enfermeiras mecânicas com a finalidade de cuidar de idosos e médicos mecanizados para tornar a assistência médica acessível e não onerosa. “Imagine trazer essa automação e produtividade para fora da fábrica e colocá-las em nossas vidas diárias?”, indaga-se Hassan. As possibilidades são infinitas.

Longe de ser restringir à esfera privado, a preocupação com a robótica é igualmente observada no âmbito do setor público. Em junho de 2011, o governo Obama anunciou a Iniciativa Robótica Nacional (National Robotics Initiative – NRI), destinada a acelerar o desenvolvimento e uso de robôs nos Estados Unidos que trabalhem juntamente (ou cooperativamente) com as pessoas. O projeto, que conta com o apoio de importantes agências governamentais como a National Science Foundation (NSF) e o Department of Defense (DOD), tem por objetivo apoiar o desenvolvimento da nova geração de robótica, encorajando as comunidades existentes para se concentrar seus esforços em áreas de aplicação inovadoras.

Inegavelmente, o poder da computação, das tecnologias e da robótica está crescendo exponencialmente. Estamos perto do “ponto de inflexão” sugerido por Malcolm GLADWELL, em que a soma de pequenos detalhes é capaz afetar significativamente os resultados finais. Estamos nos aproximando do “joelho da curva” referido por Ray KURZWEIL, no qual a linha de tendência se torna explosiva e praticamente vertical. Mas, ao mesmo tempo, nossa capacidade de compreender a rede global de informação e mapear suas vastas conexões está diminuindo, pois, desde os primórdios da humanidade, nosso pensamento se desenvolveu de forma linear.

Será que, ao fim e ao cabo, conseguiremos acompanhar o rápido progresso de todos estes avanços tecnológicos?

Fonte: OptClean, escrita por Bernardo de Azevedo e Souza