Voltar

Tecnologia da informação com foco no social

20/11/2013
Imagem: Blenda Souto Maior/DP/D.A Press
Imagem: Blenda Souto Maior/DP/D.A Press

O novo nicho do mercado de tecnologia da informação em Pernambuco são os negócios voltados aos interesses da sociedade. A ideia é desenvolver soluções que beneficiem famílias com renda mensal de até R$ 1.795. Para impulsionar os profissionais do setor a criarem produtos de impacto social, a Aspen Network of Development Entrepreneurs (Ande), uma rede global que atua no desenvolvimento de pequenas empresas, realizou pela primeira vez no Recife o evento setorial Tecnologia para a Base da Pirâmide.

O encontro, que ocorreu no Porto Digital, debateu como a cidade pode fazer para combinar seu conhecimento tecnológico e seus profissionais de alta qualidade para fornecer acesso a serviços básicos, aumentando a qualidade de vida ou reduzindo condições de pobreza. Esse é o exemplo da Joy Street, um negócio que tem como atividade principal desenhar, desenvolver e operar meios digitais de aprendizagem baseados na interação social e em jogos digitais colaborativos.

A empresa surgiu em 2010, como resposta a uma demanda lançada pela Secretaria de Educação do estado ao Porto Digital. Segundo Fred Vasconcelos, diretor da empresa, era preciso criar um novo modelo para aprendizagem escolar. Algo que incentivasse os alunos. “Eles queriam um portal, mas desenvolvemos um projeto maior. Hoje, trabalhamos com três produtos para ensino médio, fundamental e para professores”, explica.

Para Mariana Amazonas, diretora regional da Artemísia, aceleradora de negócios de alto impacto, Pernambuco tem o cenário ideal para criar um ecossistema sustentável de empreendimentos sociais. “A região Nordeste tem uma demanda grande de soluções para pessoas de baixa renda, porque a maior parte da população está realmente na base da pirâmide. O empresário precisa visualizar essas pessoas como um mercado”, diz.

Foi o que fez a pernambucana ProDeaf, que utiliza tecnologia para auxiliar a comunicação dos surdos. “Tinha um colega surdo na faculdade e pensei: como é que estamos mexendo com tecnologia, mas não a usamos para uma coisa simples como nos comunicar com ele? Foi daí que surgiu a ideia de um aplicativo que converte texto e áudio em português para libras”, afirma Flávio Almeida, um dos criadores do projeto.

Hoje, já são mais de 80 mil traduções e contratos com grandes empresas como o Bradesco. “O negócio social também pode ser financiado. Nunca cobramos nada dos usuários. Vendemos o programa para empresas que querem melhorar seu atendimento nos sites”, diz Flávio.

Para quem tem uma empresa social ou um projeto de impacto, até o final do mês a Artemísia estará recebendo inscrições para sua aceleradora de negócios. Para participar da seleção, basta entrar no www.artemisia.org.br/acelerada.php.

Fonte: Diário de Pernambuco, escrita por Thatiana Pimentel