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O sonho e o medo: automação avançada e seu impacto nas profissões

08/06/2016
Imagem: Divulgação/Internet
Imagem: Divulgação/Internet

Um dos casos mais famosos foi o célebre autómato chamado “O Turco” que, no século XVIII e durante 84 anos, frequentou as principais cortes europeias. Este autómato era um exímio jogador de xadrez que, entre umas cachimbadas no narguilé, despachou vitoriosamente a maioria das partidas que fez. Já agora, as baforadas de fumo disfarçavam o fumo da vela que iluminava o mecanismo secreto que era movimentado por um exímio xadrezista, provavelmente anão ou então um grande contorcionista.

Já há vários anos que estamos habituados a ver autómatos (robots) em fábricas e nas nossa casas. No entanto, com os desenvolvimento recentes da inteligência artificial, da qualidade dos sensores e da redução de custos de produção, estamos a entrar numa nova fase: a fase dos autómatos avançados.

Na prestação de serviços financeiros, há cada vez mais algoritmos potentes que, mediante a introdução de informação pelo potencial cliente, aconselham o melhor investimento em função dos seu perfil de risco e das necessidades futuras determinadas pelo seu ciclo de vida.

Estes instrumentos permitem uma redução de custos na distribuição de produtos financeiros e o acesso a segmentos de mercado que as instituições financeiras deixaram de trabalhar por não serem rentáveis. A dúvida que se impõe é se os autómatos irão substituir um número significativo de profissões e quais serão as mais afetadas.

Com a capacidade para desenvolver máquinas com características humanóides que se adaptam ao espaço físico ocupado pelos seres humanos e capazes de efetuar tarefas físicas com precisão e complexidade a que acrescerá a capacidade para aprender, serão as profissões mais físicas, associadas à logística e à reposição de stocks, nomeadamente em superfícies de retalho, as candidatas mais óbvias a serem impactadas.

No entanto, os avanços tecnológicos já estão a impactar as profissões de maior valor acrescentado, como os médicos, advogados, os consultores financeiros ou mesmo o jornalistas. Atualmente, há algoritmos que conseguem escrever notícias coerentes somente com informação recolhida da internet.

O receio de que as máquinas possam substituir integralmente os seres humanos sempre existiu e, por maioria de razão, ainda mais agora. No entanto, a integração homem/máquina através do desempenho de um conjunto de tarefas nas quais os homens coordenam um conjunto de autómatos industriais com capacidade para aprenderam novos processo e procedimentos será, provavelmente, a realidade. O trabalho conjunto entre “robot-advisers” e os consultores financeiros é outro exemplo atual de como a conjugação entre a máquina e o homem podem levar a ganhos de produtividade.

Todas estas alterações terão um impacto significativo na forma como as profissões serão estruturadas e exigirá o desenvolvimento de novas competências. Nos países menos desenvolvidos, onde, em média, as competências são mais baixas, estas alterações poderão excluir do mercado de trabalho uma franja significativa da população com consequências económicas e sociais sérias.

Fonte: Digital Oje, escrita por Bernardo Lisboa