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Minas quer se tornar referência em tecnologia da informação

26/11/2014
Imagem retirada de http://www.em.com.br/app/noticia/economia/2014/11/24/internas_economia,592839/minas-quer-se-tornar-referencia-em-tecnologia-da-informacao.shtml
Imagem retirada de http://www.em.com.br/app/noticia/economia/2014/11/24/internas_economia,592839/minas-quer-se-tornar-referencia-em-tecnologia-da-informacao.shtml

O vale do silício também é aqui? Em oito anos, Minas tem a ousada meta de se tornar referência nacional em tecnologia da informação. O primeiro passo foi dado esse ano, quando 25 empresas do estado participaram de treinamento na Universidade de Stanford, nos Estados Unidos. Polo de inovação e empreendedorismo, Stanford também é o berço do famoso vale conhecido por concentrar empresas de referência mundial, como HP, Google e Nvidia, fundadas por alunos da universidade. Os resultados do programa foram rápidos como um deslizar na tela e novas tecnologias criadas em Minas e lapidadas pelos magos da Califórnia, já começam a ser testadas pelo consumidor brasileiro no início do ano que vem.

O programa de inovação em Stanford existe na França e na China, mas a turma de Minas Gerais foi a primeira da América a acontecer fora dos Estados Unidos. Foram quatro semanas de treinamento que aconteceu no Brasil e na Califórnia, onde start ups (pequenas empresas de alto potencial de crescimento) e também empreendimentos de grande porte, com sede na capital e no interior, puderam ter nova visão do empreendedorismo sob o ponto de vista de lideres mundiais. Cada empresa mineira desenvolveu um produto durante o programa, com soluções para os diversos setores da economia, de soluções para facilitara a vida no trânsito, à educação móvel, pelo celular.

“O programa em Stanford não terminou, ele está apenas começando. No ano que vem teremos a segunda edição. A ideia é que seja anual”, diz Wilson Caldeira, coordenador do intercâmbio e diretor do MGTI, organização que reúne empresas de TI em Minas. Segundo ele a ideia é que até 2022 Minas Gerais saia da colocação de quinto estado em tecnologia da informação para ocupar o primeiro lugar, sendo que o treinamento em Stanford irá contribuir para essa economia lapidando os projetos para crescimento sustentável. “Em 2022 Minas Gerais deverá ter o maior número do país de pessoas ocupadas no setor de TI.”

No início do ano que vem a M-Learn empresa start up, especializada em educação móvel para o celular, vai lançar seu novo produto, um curso preparatório para testes do Detran. De fato, o produto deveria chegar ao mercado somente no segundo trimestre de 2015 mas foi adiantado depois da participação da empresa no treinamento no Vale do Silício. O programa da M-Learn foi uma das criações destaques no programa. “Todas as empresas que participaram gostaram muito, mas eu diria que para nós, a experiência foi revolucionária”, diz Ricardo Drummond, sócio proprietário da start up.

Segundo ele, na Califórnia a empresa ganhou nova visão, começando da concepção do produto até a chegada da tecnologia no mercado. "Em Stanford nos aprofundamos sobre o design thinking”, onde as empresas se abrem para pensar com a cabeça do usuário, um processo bem diferente do que até então fazíamos no Brasil. Também tivemos nova e diferente visão sobre o planejamento e o desenvolvimento dos produtos, até a estratégia de marketing e vendas”, diz Ricardo.
A M-Learn que já tem cerca de 100 mil alunos dos aplicativos no país vai agora deixar que o usuário diga o que deve ser aprimorado no novo aplicativo. “Em vez de lançar um aplicativo muito desenvolvido por ano, o melhor é lançar 10 protótipos com o feed back do usuário.” Para Ricardo o vale do Silício foi tão transformador que ele chegou da califórnia e abandonou dois projetos que tinha em curso. “Vou focar em um só, esse é um ponto importante que aprendi no treinamento.”

VIAGEM O custo do investimento para o programa foi de cerca de US$ 43 mil por empresa, com direito a dois participantes, sem contar os custos de viagem e hospedagem. O Sebrae MG e a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (via BID e FIEMG/IEL) subsidiaram perto de 75% do custo para as MPEs e 20% para as empresas de grande porte, o restante foi financiado pelo BDMG.

Formado em matemática computacional, Gustavo Peconick, sócio proprietário da Ecomova, participou do programa em Stanford e sua empresa também obteve pontuação de destaque. Gustavo desenvolveu aplicativo para caronas universitárias que recebeu um feed back importante na Califórnia. Ele diz que o aplicativo será lançado no volta às aulas e foi consolidado nos Estados Unidos. “Consegui validar ideias e estratégias.”

Gustavo destaca a experiência como única, explica que a ideia é que a tecnologia evolua também para caronas corportativas. Mais do que conectar o motorista com que deseja a carona, o aplicativo traz informações uteis sobre o tempo. Quantos minutos a corona irá chegar, se está atrasada, quanto tempo de percurso até o local de destino. “O preço, que pode ser gratuito, quem define é o motorista. Além de proporcionar a carona, o aplicativo também tornar a viagem mais agradável a quem muitas vezes está esquentando no sol, tendo alguém para conversar.

Parceria
Minas Gerais foi selecionado para firmar essa parceria pelo cenário atual. O setor de TI de Minas Gerais reúne mais de 6 mil empresas, ou seja, 8% do total nacional, que forma um contingente de aproximadamente 55 mil pessoas ocupadas no setor. A receita líquida é estimada em R$ 3,7 bilhões/ano, o que corresponde a 5% do total nacional e a 0,8% do Produto Interno Bruto do estado.

Fonte: em.com.br, escrita por Marinella Castro