Voltar

A complexidade e a tecnologia da informação

14/10/2015
Imagem retirada de http://www2.uol.com.br/sciam/noticias/sera_que_engenheiros_e_cientistas_algum_dia_conseguirao_dominar_a_-complexidade-_.html
Imagem retirada de http://www2.uol.com.br/sciam/noticias/sera_que_engenheiros_e_cientistas_algum_dia_conseguirao_dominar_a_-complexidade-_.html

A evolução científica e tecnológica no campo da Ciência da Computação tem sido vertiginosa e afetando a todos nós de alguma forma. Na área do equipamento físico em si (hardware), em apenas 60 anos, a miniaturização foi tão radical que os primeiros computadores ocupavam prédios inteiros e hoje ocupam a palma da mão ou uma capsula injetável no corpo humano. A energia elétrica necessária para fazer funcionar aqueles gigantes – os mainframes – iluminavam cidades. Hoje, um computador de mão usa baterias de alto desempenho que não pesam duzentas gramas e sustentam por horas um smartphone, por exemplo. Isso é evolução palpável, visível e impactante.

Deixando de lado a visão tecnológica e lançando uma visão, com base na Complexidade, sobre a Tecnologia da Informação há um oceano de possibilidades a ser explorado, filosófica-cientificamente, e consequentemente, impactando adiante na tecnologia. Pensar com a complexidade exige muito mais que visões lineares, baseadas em segmentos de retas, pede amplitude no olhar e pensamento inovador.

Um exercício superficial e sem nenhuma pretensão de seguir a rigidez da Ciência faço aqui um desenho do que penso ser a Tecnologia da Informação vista sob o olhar da Complexidade. Finco o pé nas ideias do físico César Hidalgo, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, nos Estados Unidos: informação é muito mais que o dado comunicado.

Para Hidalgo é pobre olhar a informação como algo registrado na cabeça, no computador ou no arquivo da prefeitura. Tudo o que é produto da inteligência humana contém informação e quanto mais complexo for a produção daquilo, mais complexidade há na informação sobre tal coisa. Logo, um arado puxado a cavalo e outro mecanizado possuem informações, entretanto o arado mecanizado é mais complexo e isso faz dele algo mais precioso. E aí surge algo importantíssimo: o valor da complexidade da informação. Exemplo disso é que um fusca custa uma merreca enquanto um Rolls-Royce custa mais que uma fazenda de soja.

Para o profissional de Sistemas de Informação, em especial, e demais profissionais da Ciência da Computação, o conhecimento da complexidade na tecnologia da informação é a diferença entre ser um empregado medíocre numa empresa qualquer ou ser um ousado criador de sistemas simples, inovadores e que fazem a diferença para quem os utiliza.

Tanto nos Estados Unidos como no Brasil o desafio é oferecer ao cliente da tecnologia da informação algo complexo, útil e decisivo de maneira simples, clara, objetiva e se possível gráfica. Isso mesmo, nós entendemos melhor uma imagem que um texto descritivo de 10 páginas. O ditado popular que uma imagem vale mais que mil palavras é uma verdade para os profissionais da área, quando se trata de apresentar resultados a quem nos paga ou paga a conta. Desenhe o resultado do processamento e até um asno vai entender. Use e abuse das ferramentas de visualização gráfica de dados.

Mas, se você com os resultados do processamento de dados pode mudar a concepção de uma empresa, empresário ou funcionário sobre onde está o filé mignon para eles, faça isso e não tenha medo de dizer com todas as letras: vender commodities é um atraso de vida. Os resultados dizem que para nadar em dinheiro é preciso industrializar, tornar a produção complexa? Então, diga isso por escrito e mostre os resultados que apontam esse caminho do ouro.

Inovar sempre, ou morrer de velho ainda novo. Dilema que não tem mais sentido para nós, profissionais da Computação. Besteira saber demais de uma linguagem de programação se amanhã ela deixará de ser usada. Não perca tempo com a burocracia da profissão, se lance no campo das ideias e tenha coragem de afirmar sem dó nem piedade: PIB – Produto Interno Bruto – quer dizer nada! Invente um indicador que reflita a realidade econômica de uma região. Afinal, o PIB de quem exporta banana pode ser igual ao de quem exporta tomógrafos, conforme diz Hidalgo.

Já pensaram em medir a eficiência e a eficácia do sistema educacional público em qualquer nível? Já imaginaram os sistemas, as análises e as sínteses, apresentando resultados complexos, sobre o que se gasta em Educação e o que isso impacta na sociedade? Qual o índice de empregabilidade de um estudante que conclui o Ensino Médio na cidade? Pois é, perdemos tempo demais querendo saber abobrinhas e o que realmente importa nem voltamos nosso olhar. Às vezes desenvolvemos outro problema para resolver um problema inicial.

Se é para fazer o que eu fazia há trinta anos, então para que estudar tanto? A geração que hoje está nas universidades precisa sair da mesmice dos dogmas. Ideologia criada por filósofo morto há quase dois séculos não serve para a complexidade dos dias atuais. Por exemplo, a verdade de Karl Marx foi superada logo depois dele ter escrito o primeiro volume de O Capital. Dois outros volumes foram escritos e não publicados, porque a verdade dogmática que ele pregava já não atendia às análises dos demais economistas e filósofos daquele tempo, imagina hoje em dia se a teoria dele ainda presta?

Por fim, há tanto a ser feito no Brasil que o pessoal da Tecnologia da Informação poderá ser um agente transformador da realidade, escancarando a informação e produzindo conhecimento revolucionário, com a complexidade que o mundo atual exige.

Fonte: A Tribuna, escrita por Ruy Ferreira